Publicado em Pós-ICP³, Terceira Vez: Disney

Disney: Vale a Pena Ir?

Segunda – 12 de Março de 2017

Querido Diário,

Desde o ano passado quando eu decidi que queria fazer o ICP e comecei a falar pras pessoas, eu fui muito questionada a respeito do preço que eu tinha que pagar pra ir. Preço aqui no sentido mesmo de dinheiro. Algumas pessoas achavam que não valia a pena gastar tanto dinheiro pra ir passar tão pouco tempo lá, sendo que muito provavelmente eu não iria conseguir juntar esse dinheiro de volta. Foi até meio chato com algumas pessoas, pois por elas terem tanta “convicção” de que era uma má ideia, parecia que queriam me mostrar como elas estavam certas e fazer eu desistir de ir.

Mas eu já tinha tomado a minha decisão e eu já tinha noção de tudo isso. Quando eu comecei a pesquisar mais sobre a Disney e o ICP, eu vi um vídeo no YouTube do famoso Igor Saringer falando de quanto ele tinha gastado pra fazer o programa. Apesar de ter achado que foi muito dinheiro, eu meio que ignorei esse pequeno detalhe porque as minhas motivações eram outras.

Eu nunca pensei em ir pra Disney pra juntar dinheiro. É até engraçado isso, porque eu lembro desse post que eu escrevi no fim do meu segundo programa de Au Pair, falando como eu não iria querer ser Au Pair pra ter prejuízo. E, financeiramente falando, eu tive muito prejuízo indo pra Disney.

Mas eu ganhei muito também. Ganhei muitas outras coisas que pra mim era o que importava desde o começo. Eu sempre considerei que, no mínimo, tudo ia valer a pena só pelo fato de que eu poderia entrar e curtir os parques sempre que possível. E eu fiz isso mesmo. Eu fui pra algum parque da Disney curtir como guest em quase todos os meus dias off. Eu nunca conseguiria ir tantas vezes pra esses parques se eu tivesse lá como turista e tivesse que pagar pelos ingressos.

Outra coisa que eu sempre quis muito ter era roommates. Eu morei com famílias quando era Au Pair, mas não era a mesma coisa. Eu queria ter a “minha” casa, morar com outras pessoas no mesmo “nível” que eu (ninguém era chefe de ninguém), ver se eu ia conseguir sobreviver sem meu pai fazendo comida pra mim e tendo que lidar com problemas dentro de casa (e olhe, a gente teve um bocadinho de problemas, de vários tipos. Depois eu conto mais sobre isso).

Eu não queria muita coisa antes de ir, essas duas eram as principais. Mas, além delas, tiveram muito mais coisas que fizeram tudo valer tanto a pena que no final eu só queria voltar no tempo pra poder começar tudo de novo:

  • Eu ganhei duas novas famílias: minhas roommates e meus companheiros custodials;
  • Eu me aproximei mais do meu primo;
  • Eu aprendi que quando aparece uma aranha em casa eu corro pra matar e não na direção contrária;
  • Eu joguei tênis pela primeira vez (na verdade eu passei mais tempo correndo de um lado pro outro da quadra tentando acertar a bola);
  • Eu fui pra festinhas em outros apartamentos e eventos promovidos pelo housing;
  • Eu vi um pato nadando na piscina do condomínio. E saibam que eles também voam;
  • Eu fui pros dois parques da Universal e andei no trem do Harry Potter entre um e outro;
  • Eu fui pro Busch Gardens e pro Sea World;
  • Comprei coisas da Disney com 40% de desconto;
  • Almocei num restaurante da Itália no Epcot com 50% de desconto, além de ter comido muitos sorvetes de graça, ganhado cookies, chocolate quente, rice krispies, cheesecake, donut e pipoca de caramelo da Alemanha também roubei uns cupcakes de lá, provei maçã do amor e doces do Marrocos, me entupi de comer as comidas que levaram pro breakroom no Natal (e a que os amigos da minha roommate levaram na nossa confraternização);
  • Uma das vezes que ganhei cookies foi porque 3 caras apareceram na nossa porta querendo tirar o nosso lixo e nos dar cookies em troca. Era Natal e a gente arriscou. E não morremos (eles eram do CRU: Campus Crusade for Christ e estavam fazendo a Operation Christmas Cookies);
  • Aprendi a fazer crepioca;
  • Fiz comida com minha roommate quase todos os dias e sentamos pra comer juntas e conversar;
  • Conheci, convivi e peguei quase todos os dias ônibus com pessoas do Peru, Haiti, México, Noruega, China, Alemanha, Itália, Estados Unidos, Japão, Marrocos, França e Reino Unido. E ouvi eles conversando na língua deles;
  • Assisti ao Illuminations, show de fogos do Epcot, quase todos os dias e de vários pontos diferentes;
  • Tirei foto com o Pato Donald, Pluto, Mickey, Minnie, Baymax, Anna, Elsa, Mulan, Olaf, Moana e Chewbacca. E conheci a Mary Poppins no backstage;
  • Peguei carona num pargo cart;
  • Andei na ride da Frozen quando ainda não tinha ninguém lá;
  • Fui molhada por sprinklers quando tava andando na calçada (e tive que sair correndo e pulando no meio da rua pra tentar escapar dos jatos de água) e também quando tava tentando chegar em casa;
  • Tive conversas e interações muito bizarras e engraçadas com os guests. E morri de rir das minhas roommates e primo contando as histórias deles com os guests;
  • Ganhei ingressos pra dar pra família ou amigos entrarem no parque de graça;
  • Fiz parte de um vídeo de Mannequin Challenge;

Todos esses momentos fizeram valer o dinheiro que eu gastei pra ir. Mas se ainda assim você quiser levar em conta só a questão financeira, eu diria pra você não ir pra Disney. Eu trabalhei em média 35h por semana (a semana que trabalhei mais teve 49h) e o que eu ganhei foi mais ou menos o equivalente ao tanto que eu gastei pra ir, ou seja, não tive nenhum “lucro”. Apesar disso, consegui me manter lá com o dinheiro que eu ganhava e não precisei pedir mais pros meus pais.

Mas eu espero que, depois de ter lido tudo o que eu escrevi, você não se prenda tanto ao dinheiro e perceba que essa pode ser uma das melhores experiências que você vai ter na vida. Espero também que seja óbvio que tudo o que eu falei aqui é baseado somente na minha experiência. Sei que tiveram pessoas que foram focadas no dinheiro e que trabalharam muito mais do que eu e talvez tenham conseguido ter algum lucro. Também tiveram pessoas que não gastaram tanto quanto eu, já que por morar em Fortaleza eu tive que fazer 3 viagens pra palestras, entrevistas e visto. Então é tudo muito relativo.

Se você ainda tá na dúvida, tenta colocar numa “balança” as coisas que são mais importantes pra você. O que faria isso valer a pena e por que você gostaria de ir? Se tiver condições de juntar esse dinheiro durante o ano e se for algo que quer muito fazer, eu diria pra não deixar passar essa chance. Lembrando que talvez você não consiga fazer isso depois, já que é preciso estar na faculdade.

Espero que eu tenha ajudado em alguma coisa com esse post. Eu não me arrependo de nenhum dos intercâmbios que já fiz e acho que muita coisa depende de como você vê as coisas e dos seus objetivos. E só você sabe quais são eles. Boa sorte àqueles que vão tentar esse ano!

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Autor:

Sou uma daquelas que escreve, apesar de não me considerar uma escritora. Sou viciada em intercâmbios, professora de Inglês, estudante de Letras e dona da Yuki.

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